Aprenda arquitetura com os melhores cursos do Brasil Mobflix Conhecer a Mobflix
Materiais e Técnicas

cimento queimado

```html

Introdução ao Cimento Queimado: Versatilidade e Estilo

O cimento queimado, uma técnica construtiva de revestimento que remonta a tempos antigos, ressurgiu com força total na arquitetura e design de interiores contemporâneos brasileiros. Caracterizado por sua superfície lisa, mas com nuances e texturas orgânicas, ele oferece uma estética minimalista e industrial, que se adapta a uma vasta gama de estilos, do rústico ao ultra-moderno. Sua popularidade reside não apenas na beleza singular, mas também na sua versatilidade e na percepção de durabilidade e baixo custo, embora esses últimos aspectos mereçam uma análise mais aprofundada.

Este material, que na sua forma mais pura é uma mistura de cimento, areia e água aplicada sobre uma superfície e posteriormente polvilhada com cimento seco para criar o efeito "queimado" (daí o nome), tem sido reinterpretado por arquitetos e designers. Hoje, encontramos diversas variações, incluindo as versões industrializadas, que buscam replicar o aspecto original com maior controle de qualidade e facilidade de aplicação. A escolha do cimento queimado é, muitas vezes, uma declaração de estilo, um desejo de trazer a brutalidade elegante da matéria-prima para o coração do projeto.

A aplicação do cimento queimado pode ser vista em pisos, paredes, bancadas e até mesmo em mobiliário, conferindo uma continuidade visual e uma atmosfera de sofisticação despretensiosa. Sua neutralidade cromática serve como uma tela perfeita para a introdução de outros materiais e cores, permitindo que a textura e a luz se tornem os protagonistas do espaço. No entanto, sua execução exige conhecimento técnico e mão de obra especializada para garantir um resultado impecável e duradouro, evitando problemas comuns como trincas e manchas.

História e Evolução: Do Rústico ao Sofisticado

A origem do cimento queimado remonta a práticas construtivas vernaculares, onde a simplicidade dos materiais e a técnica manual eram a base. No Brasil, essa técnica era amplamente utilizada em casas de fazenda e construções mais modestas, onde a praticidade e o baixo custo eram imperativos. A designação "queimado" refere-se ao processo de polvilhar cimento em pó sobre a massa ainda úmida e depois alisar com uma colher de pedreiro ou desempenadeira, o que cria uma camada superficial mais densa e resistente, com um aspecto levemente manchado e irregular, característico da técnica.

Com o advento da arquitetura moderna no século XX, e a valorização de materiais brutos e processos construtivos evidentes, o cimento queimado começou a ganhar um novo status. Arquitetos como Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi, embora não utilizassem o cimento queimado da forma tradicional em seus projetos mais icônicos, pavimentaram o caminho para a apreciação da estética do concreto aparente e dos materiais em seu estado natural. Essa valorização do "brutalismo" e da honestidade material abriu portas para o resgate e a reinterpretação de técnicas como o cimento queimado, elevando-o de um material meramente funcional a um elemento de design sofisticado.

A evolução do cimento queimado não parou por aí. Hoje, além da técnica tradicional, surgiram diversas alternativas industrializadas, como os cimentos poliméricos e as argamassas prontas, que oferecem maior controle sobre a cor, a textura e a resistência. Essas novas formulações minimizam as chances de patologias como fissuras e manchas, que eram mais comuns na aplicação artesanal. A tecnologia permitiu que o cimento queimado se tornasse mais acessível e previsível, mantendo sua essência estética e expandindo suas possibilidades de aplicação em projetos de alto padrão.

Piso de cimento queimado em sala de estar moderna
A textura sutil do cimento queimado confere elegância a ambientes contemporâneos, como esta sala de estar.

Tipos e Aplicações do Cimento Queimado na Arquitetura Contemporânea

A versatilidade do cimento queimado se manifesta nos diversos tipos disponíveis no mercado e nas inúmeras possibilidades de aplicação. Basicamente, podemos categorizar o cimento queimado em duas grandes vertentes: o tradicional, feito in loco com argamassa de cimento e areia, e as versões industrializadas, que podem ser argamassas prontas ou revestimentos cimentícios poliméricos.

O cimento queimado tradicional é executado diretamente na obra, com uma argamassa de cimento, areia e água, sobre a qual se polvilha cimento em pó e alisa-se. Este tipo é o que mais apresenta as características originais, como as manchas e variações de tonalidade, que são parte de seu charme. Contudo, é mais propenso a fissuras e exige mão de obra altamente qualificada. Já as versões industrializadas, como as argamassas cimentícias autonivelantes ou as microcimentos, são formuladas para oferecer maior resistência, menor espessura e uma paleta de cores mais controlada. O microcimento, em particular, é uma opção popular para reformas, pois pode ser aplicado sobre revestimentos existentes, com espessuras que variam de 2 a 3 mm, sem a necessidade de quebra-quebra.

As aplicações do cimento queimado são vastas. Em pisos, ele confere um visual contínuo e moderno, ideal para grandes ambientes. Em paredes, cria um fundo neutro e texturizado que realça a decoração. Bancadas de cozinha e banheiro, lareiras, nichos e até mesmo painéis decorativos podem receber o cimento queimado, transformando superfícies comuns em elementos de destaque. A NBR 13753:1996, embora trate de revestimentos de piso e parede com argamassas, serve como base para entender os requisitos de desempenho para substratos e argamassas utilizados na base do cimento queimado, garantindo a aderência e durabilidade.

Ponto-Chave

A escolha entre cimento queimado tradicional e industrializado deve considerar o nível de personalização desejado, a resistência a fissuras e a complexidade da aplicação. As versões industrializadas oferecem maior controle e previsibilidade no resultado final.

Vantagens e Desvantagens do Cimento Queimado: Uma Análise Crítica

A popularidade do cimento queimado é inegável, mas, como todo material, ele apresenta um conjunto de vantagens e desvantagens que devem ser cuidadosamente ponderadas antes da decisão de utilizá-lo em um projeto. Compreender esses aspectos é crucial para arquitetos e clientes, garantindo que as expectativas estejam alinhadas com a realidade do material.

Entre as principais vantagens, destacam-se a estética única e moderna, que confere um toque de sofisticação e minimalismo

Arqpedia

Equipe Arqpedia

Conteúdo produzido por arquitetos e engenheiros especializados. Siga-nos no Instagram.