Anatomia de uma Escada: Conhecendo os Componentes
Antes de calcular a escada, é importante compreender a terminologia técnica relacionada à sua estrutura:
- Piso (ou Pisada): A superfície horizontal do degrau, onde se pisa. Sua profundidade é indicada pela letra 'p'.
- Espelho: A parte vertical do degrau, a altura entre um piso e outro. Sua altura é indicada pela letra 'e'.
- Bocel (ou Quina): A pequena projeção do piso sobre o espelho, que aumenta a área útil da pisada.
- Patamar: Uma plataforma plana que serve para descanso ou para mudança de direção da escada.
- Guarda-corpo: O elemento de proteção lateral da escada, obrigatório para desníveis superiores a 1 metro.
- Corrimão: O apoio para a mão, instalado ao longo do guarda-corpo ou na parede.
- Largura: A dimensão da escada, que deve ser suficiente para a passagem confortável e segura das pessoas.
O Cálculo Essencial: A Fórmula de Blondel para Conforto e Segurança
A relação entre a altura do degrau (espelho) e a profundidade do piso (pisada) determina o conforto do usuário.
A relação entre a altura do degrau (espelho) e a profundidade do piso (pisada) determina o conforto do usuário. A fórmula de Blondel, desenvolvida no século XVII pelo arquiteto François Blondel, é uma referência para esse cálculo, considerando uma passada média de 64 cm, medida padrão para passos em terrenos planos.
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A Fórmula de Blondel estabelece: 63 cm ≤ (2e + p) ≤ 64 cm, onde 'e' representa a altura do espelho e 'p' a profundidade do piso.
Onde:
- e = altura do espelho
- p = profundidade do piso
Ou seja, a soma de duas vezes a altura do espelho mais a profundidade do piso deve estar entre 63 e 64 centímetros, promovendo uma passada natural e segura ao subir ou descer os degraus.
Projetando a Escada: Passo a Passo Prático
Por exemplo, considere um pé-direito de 3,00 metros. Para esse caso, um projeto adequado resultaria em uma escada com aproximadamente 17 degraus, cada um com cerca de 17,65 cm de altura (espelho) e 28,7 cm de profundidade, totalizando um comprimento horizontal de cerca de 4,59 metros.
- Definir a Altura do Espelho: Primeiro, escolha uma altura confortável para o espelho. Um bom valor inicial é 18 cm (0,18 m).
- Calcular o Número de Degraus: Divida o pé-direito total pela altura do espelho escolhida: 3,00 m / 0,18 m = 16,66 degraus.
- Ajustar o Número de Degraus: Como não podemos ter um número quebrado de degraus, arredondamos para o número inteiro mais próximo, neste caso, 17 degraus.
- Recalcular a Altura Exata do Espelho: Agora, divida o pé-direito pelo número de degraus ajustado para encontrar a altura exata de cada espelho: 3,00 m / 17 = 0,1765 m (ou 17,65 cm). Esta será a altura precisa de cada um dos seus 17 espelhos.
- Calcular a Profundidade do Piso: Com a altura exata do espelho (e = 17,65 cm), use a Fórmula de Blondel para encontrar a profundidade ideal do piso (p). Vamos usar o valor de 64 cm como meta: (2 * 17,65) + p = 64 => 35,3 + p = 64 => p = 64 - 35,3 => p = 28,7 cm.
- Calcular o Comprimento Total da Escada: Para saber o espaço horizontal que a escada ocupará, multiplique a profundidade do piso pelo número de pisos. Lembre-se: o número de pisos é sempre o número de espelhos menos um (pois o último degrau é o próprio pavimento superior). Portanto: 16 pisos * 28,7 cm = 459,2 cm (ou 4,59 m).
Assim, a escada projetada será confortável, segura e bem dimensionada, atendendo às exigências de uso e espaço disponíveis.
Normas da ABNT: Projetando Escadas Acessíveis e Seguras (NBR 9050 e
Além do cálculo baseado na Fórmula de Blondel, é fundamental seguir as normas técnicas brasileiras, que estabelecem requisitos mínimos de segurança e acessibilidade para escadas.
- ABNT NBR 9050 - Acessibilidade: Esta norma é fundamental para escadas em rotas acessíveis. Ela estabelece dimensões específicas para pisos e espelhos (piso entre 28 e 32 cm; espelho entre 16 e 18 cm), a obrigatoriedade de sinalização tátil de alerta no início e no fim dos lances, e requisitos detalhados para corrimãos (dupla altura, prolongamento antes e depois da escada, etc.).
- ABNT NBR 9077 - Saídas de Emergência em Edifícios: Esta norma foca na segurança contra incêndio e pânico. Ela define a largura mínima das escadas com base no número de pessoas que a utilizarão, o número máximo de degraus por lance (geralmente 16), e as dimensões dos patamares de descanso.
| Item | Requisito Principal | Observação |
|---|---|---|
| Largura Mínima | 1,20 m (rotas acessíveis) / Varia por fluxo (saída de emergência) | Garante a passagem de cadeiras de rodas e o fluxo de pessoas. |
| Espelho (e) | 16 cm ≤ e ≤ 18 cm | Para rotas acessíveis, mais restritivo que Blondel. |
| Piso (p) | 28 cm ≤ p ≤ 32 cm | Garante uma área de apoio segura para o pé. |
| Corrimão | Duas alturas (0,70 m e 0,92 m), contínuo, prolongado 30 cm no início/fim. | Essencial para acessibilidade e segurança de todos. |
| Patamar | A cada 3,20 m de desnível ou a cada 16 degraus. | Área de descanso obrigatória em lances longos. |
Tipos de Escada: Escolhendo o Formato Ideal para seu Projeto
A forma da escada deve ser escolhida de acordo com o espaço disponível e a função do projeto, podendo variar entre escadas retas, em L, em U ou com diferentes configurações.
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- Escada Reta: A mais simples e econômica. Ocupa um espaço linear considerável.
- Escada em L: Possui um patamar de descanso e muda de direção em 90 graus. É uma boa solução para cantos de ambientes.
- Escada em U: Muda de direção em 180 graus, com um patamar intermediário. É compacta e eficiente.
- Escada Circular ou Helicoidal: Gira em torno de um eixo central. É a mais compacta, mas também a menos confortável e segura para o uso diário, sendo muitas vezes restrita a usos secundários.
- Escada Curva ou Escultural: Não segue uma geometria rígida, assumindo formas orgânicas. É a que possui maior impacto estético, funcionando como uma peça central no ambiente.
Materiais e Acabamentos: A Estética da Escada
A seleção de materiais influencia na estética e na funcionalidade. Concreto aparente oferece um visual robusto, madeira traz aconchego, metal confere um estilo industrial ou minimalista, e vidro possibilita transparência e leveza. É essencial que o piso seja antiderrapante para garantir segurança ao uso.
Iluminação e Detalhes: Valorizando o Design da Escada
Iluminação adequada é crucial para segurança e para destacar o design da escada. Instalações de iluminação nos espelhos ou nas paredes laterais proporcionam funcionalidade e estética. Luzes pendentes ou balizadores podem criar efeitos visuais interessantes, além de melhorar a segurança na circulação. O design do guarda-corpo e do corrimão também deve ser considerado como elemento de acabamento e segurança.
Conclusão: A Escada como Elemento Central do Projeto
Projetar uma escada envolve a integração de aspectos técnicos, ergonômicos, normativos e estéticos. Conhecer a Fórmula de Blondel e as normas da ABNT é fundamental para criar elementos que sejam seguros, confortáveis e harmoniosos com o restante do projeto. Uma escada bem planejada torna-se um elemento de destaque, potencializando a experiência espacial e a funcionalidade do ambiente.
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