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Materiais e Técnicas

Tipos de Cimento: Como Escolher CP I, II, III, IV e V

Anatomia do saco de cimento: onde ler o tipo, a classe e a data de fabricação exigidos pela NBR 16697 Ilustração de um saco de cimento Portland de 50 kg com quatro chamadas numeradas indicando o tipo e a classe (CP II-E-32), o selo de conformidade NBR 16697, a massa líquida e o mês/ano de fabricação — as marcações obrigatórias que devem ser conferidas antes de aceitar a entrega. Anatomia do saco de cimento Antes de aceitar a entrega, confira as 4 marcações que a NBR 16697 obriga a imprimir no saco. CIMENTO PORTLAND CP II-E-32 composto com escória • uso geral NBR 16697 requisitos de fábrica MASSA LÍQUIDA 50 kg FAB 03/2026 L-4832 1 Tipo + classe CP II-E = tipo (adição de escória); 32 = resistência mínima em MPa aos 28 dias. 2 Selo NBR 16697 Norma vigente desde 2018. Sem esse selo, o saco é irregular — recuse a entrega. 3 Massa líquida 50 kg (também há sacos de 25 kg). Pesa no traço, no consumo por m³ e no frete. 4 Mês/ano de fabricação Passou de ~90 dias? O cimento empedra e perde resistência — não use.
A NBR 16697 obriga o fabricante a imprimir tipo, classe, selo da norma, massa e data. Ler essas quatro marcações antes de descarregar o caminhão é o primeiro controle de qualidade da obra — e o mais barato.

Imagine um caso típico de canteiro: uma equipe compra 800 sacos de CP V ARI para concretar o bloco de coroamento de um sobrado de 4 pavimentos. Em poucos dias, o concreto trinca.

O culpado não é a obra: é o cimento errado pra peça errada. CP V libera calor de hidratação altíssimo.

Em volume maciço, esse calor cozinha o concreto por dentro enquanto a superfície já esfriou. Resultado: retração térmica, fissura passante, laudo pericial. É um caso ilustrativo — mas o mecanismo é real e recorrente.

Este guia te entrega o que importa: composição, classe de resistência, ambiente certo e os 5 erros que destroem obra. Tudo amarrado à NBR 16697:2018, a norma vigente.

O que é cimento Portland (em linguagem de obra)

Cimento Portland é um pó cinza que, ao misturar com água, vira pedra artificial. Esse "virar pedra" tem nome técnico: hidratação.

As partículas absorvem água, formam cristais e se intertravam, prendendo areia e brita numa massa monolítica que ganha resistência por anos.

Foi patenteado em 1824 por Joseph Aspdin na Inglaterra. O nome vem da Ilha de Portland, cuja rocha calcária se parece com o concreto endurecido.

A receita é simples na ideia: calcário (cerca de 80%) + argila (cerca de 20%) moídos finos, queimados num forno rotativo a 1450 °C. Sai dali o clínquer, em bolinhas pretas do tamanho de uma azeitona.

O clínquer sozinho endureceria em segundos. Por isso o fabricante moe o clínquer junto com 3 a 5% de gipsita (sulfato de cálcio), que segura a reação e dá tempo de trabalhar o concreto.

Dentro do clínquer existem 4 minerais que mandam no resultado: C3S (resistência inicial), C2S (resistência longa), C3A (pega rápida e calor) e C4AF (cor escura). Mudar a proporção deles muda o tipo de cimento.

A partir do clínquer + gipsita, o fabricante adiciona escória de alto-forno, pozolana ou filer calcário. É essa adição que define se o saco vira CP II, CP III ou CP IV.

Processo de fabricação do cimento Portland, do calcário ao saco Fluxograma em cinco etapas: farinha crua de calcário (cerca de 80%) e argila (cerca de 20%); queima em forno rotativo a 1450 graus Celsius; formação do clínquer em nódulos; moagem com 3 a 5% de gipsita; e adição de escória, pozolana ou filer, que define o tipo CP I a CP V. Do calcário ao saco: as 5 etapas de fabricação 1 Farinha crua calcário ~80% + argila ~20% 2 Forno rotativo 1450 °C clinquerização 3 Clínquer nódulos escuros do tamanho de azeitona 4 Moagem fina + gipsita 3–5% controla a pega 5 + adições escória / pozolana / filer = CP I a CP V A etapa 5 é a que separa os tipos: um CP V ARI é quase só clínquer; um CP III troca até 75% do clínquer por escória de alto-forno.
Do calcário ao saco: a etapa 5 (tipo e quantidade de adição) é o que separa um CP V de clínquer puro de um CP III com até 75% de escória. A gipsita da etapa 4 é o freio que dá tempo de trabalhar o concreto.

Analogia rápida: imagina o clínquer como farinha pura, a gipsita como o sal que segura o ponto, e as adições (escória, pozolana, filer) como temperos que mudam sabor e tempo de cozimento.

Receita de cimento com mais clínquer = "pão branco rápido": ganha resistência cedo, custa mais e gera mais calor. Receita com mais adição = "pão integral": ganha resistência devagar, dura mais e polui menos.

NBR 16697:2018 — a norma que unificou tudo

Antes de 2018, cada tipo de cimento tinha sua própria norma: NBR 5732 (CP I), 5733 (CP V), 5735 (CP III), 5736 (CP IV), 5737 (cimentos resistentes a sulfato), 11578 (CP II), 12989 (CPB) e 13116 (baixo calor).

Era um labirinto. O engenheiro especificava "CP II-E-32" e tinha que consultar duas normas pra checar conformidade.

Em 2018, a ABNT publicou a NBR 16697 — Cimento Portland: Requisitos e unificou todas essas oito normas num documento único.

Hoje, qualquer saco vendido no Brasil tem que vir marcado conforme NBR 16697. Veja na lateral: tipo, classe de resistência, mês e ano de fabricação. Se faltar alguma dessas marcações, recuse a entrega.

Os 5 tipos principais (com tabela)

A NBR 16697 reconhece 5 tipos base de cimento Portland (CP I a CP V), identificados pela sigla CP seguida de algarismo romano. A diferença entre eles é a quantidade e o tipo de adição misturada ao clínquer.

O CP II ainda se desdobra em três subtipos pela adição usada — E (escória), F (filer) e Z (pozolana) —, por isso a tabela abaixo traz 7 linhas. O CPB (branco) é caso à parte, detalhado mais adiante.

TipoComposiçãoUso típicoR$/saco 50 kg (2026)
CP I (comum)95-100% clínquer + gipsita, com até 5% de material carbonáticoPeças decorativas, referência de laboratório, fck baixoR$ 42 — R$ 50 (estimativa)
CP II-E (escória)51-94% clínquer + 6-34% escória (+ até 15% filer)Concreto de uso geral, fundação, pilar, lajeR$ 38 — R$ 45 (estimativa)
CP II-F (filer)75-89% clínquer + 11-25% filer calcárioArgamassa, contrapiso, alvenaria estruturalR$ 36 — R$ 43 (estimativa)
CP II-Z (pozolana)71-94% clínquer + 6-14% pozolana (+ até 15% filer)Concreto em meio úmido, reservatórioR$ 40 — R$ 46 (estimativa)
CP III (alto-forno)25-65% clínquer + 35-75% escóriaSubsolo, fundação, ambiente agressivo, calor moderadoR$ 40 — R$ 48 (estimativa)
CP IV (pozolânico)45-85% clínquer + 15-50% pozolanaBarragem, obra marítima, beira-marR$ 42 — R$ 50 (estimativa)
CP V ARI90-100% clínquer (alta finura) + até 10% material carbonáticoPré-moldado, concretagem rápida, reparoR$ 48 — R$ 58 (estimativa)
Composição de cada tipo de cimento: clínquer garantido, faixa variável e adição mínima Barras horizontais para CP I, CP II-E, CP II-F, CP II-Z, CP III, CP IV e CP V-ARI mostrando, em cada tipo, o percentual mínimo de clínquer garantido, a faixa que varia e a adição mínima garantida, conforme os limites da NBR 16697. Composição por tipo (limites da NBR 16697) A barra vai de 0% a 100% da massa do cimento. 0%25%50%75%100% CP I95–100% CP II-E51–94% CP II-F75–89% CP II-Z71–94% CP III25–65% CP IV45–85% CP V-ARI90–100% clínquer faixa variável escória pozolana filer calcário
O que separa um CP III de um CP V não é a química do clínquer, e sim quanto dele é trocado por adição. O CP III garante só 25% de clínquer e até 75% de escória; o CP V-ARI é quase 100% clínquer — por isso é rápido, caro e esquenta. Limites conforme a NBR 16697.

Marcas principais no Brasil: Votorantim, InterCement, Holcim, Cimpor, CSN Cimentos e Mizu.

Cada uma vende a maioria dos tipos acima, mas a disponibilidade muda por região. Em São Paulo é fácil achar CP III; no Nordeste, CP IV domina.

Quando usar cada um (regra de bolso)

CP I: raro na obra. Usado em laboratório, peça artística e situação onde a pureza importa mais que o preço.

CP II: o curinga. 8 em cada 10 obras residenciais usam CP II-E ou CP II-F. Equilibra preço, resistência e trabalhabilidade.

CP III: alta resistência a sulfato e cloreto. Vai bem em subsolo úmido, esgoto, fundação em terreno agressivo. Bônus: menos clínquer = menos CO2.

CP IV: a escolha para obra marítima e barragem. Resiste a água do mar e tem ganho de resistência progressivo (continua endurecendo aos 90, 180, 360 dias).

CP V ARI: só use quando o cronograma manda. Pré-moldado, viga protendida, reparo emergencial. Em peça grossa, esquece — vai trincar.

Curiosidade de fábrica: a NBR 16697 permite incorporar até 10% de filer calcário no próprio CP V sem perder a sigla ARI, o que reduz custo. Confira a composição na ficha técnica do fabricante.

Em laje pré-moldada e treliçada, o CP V acelera a desforma de 14 para 3 dias, liberando a forma para reutilização. Em obra que aluga forma, a economia paga o cimento mais caro.

Como cada cimento ganha resistência ao longo do tempo Curvas ilustrativas de ganho de resistência em relação à resistência aos 28 dias: o CP V-ARI dispara nos primeiros dias e estabiliza; o CP II fica no meio; o CP III/IV começa devagar e ultrapassa os demais aos 90 dias. Ganho de resistência ao longo do tempo 0%50% 100% = resistência aos 28 dias 1 dia3 dias7 dias28 dias90 dias CP V-ARICP IICP III / CP IV
Curvas ilustrativas do comportamento típico. O CP V-ARI atinge boa parte da resistência em 1 a 3 dias (ideal para desforma rápida), enquanto o CP III/IV começa lento e ultrapassa os outros no longo prazo — desde que a cura mantenha água disponível para a reação continuar.

Classes de resistência: 25, 32 ou 40 MPa

Depois do tipo (CP II, III etc.), o saco ainda traz uma classe de resistência.

Esse número é a tensão mínima que o cimento garante aos 28 dias, em MPa (megapascal). Quanto maior, mais forte o concreto que ele consegue produzir.

A NBR 16697 padroniza três classes:

  • Classe 25: resistência mínima 25 MPa. Argamassa, contrapiso, calçada, concreto não-estrutural.
  • Classe 32: resistência mínima 32 MPa. É a classe padrão para concreto estrutural em casa e prédio.
  • Classe 40: resistência mínima 40 MPa. Pré-moldado, viga protendida, estrutura de alto desempenho.

Cuidado: a classe do cimento NÃO é o fck do concreto. Um saco de CP II-E-32 pode produzir concreto com fck 20, 25 ou 30 MPa.

Tudo depende do traço (proporção de cimento, areia, brita, água). Quem define o fck é o projeto estrutural, conforme NBR 6118.

Pela NBR 6118, o fck mínimo do concreto armado sobe com a agressividade: 20 MPa em meio rural (CAA I), 25 MPa em meio urbano (CAA II) e 30 MPa em meio marinho ou industrial (CAA III).

No caso mais severo (CAA IV — respingos de maré, indústria muito agressiva), a norma exige 40 MPa. Subestimar isso em beira-mar é receita de armadura corroída.

Guia de escolha: ambiente, classe de agressividade, fck mínimo e cimento indicado Tabela relacionando o ambiente da obra à classe de agressividade ambiental (CAA), ao fck mínimo do concreto armado exigido pela NBR 6118 Tabela 7.1 (20, 25, 30 e 40 MPa) e ao tipo de cimento mais indicado. Ambiente / usoCAAfck mín. (NBR 6118)Cimento indicado Interior rural, secoI20 MPa (C20)CP II-F ou CP II-E Cidade / meio urbanoII25 MPa (C25)CP II-E ou CP II-Z Marinho / industrialIII30 MPa (C30)CP III ou CP IV Respingos de maré (severo)IV40 MPa (C40)CP IV + cobrimento maior Peça maciça (volume)baixo calorCP III ou CP IV Pré-moldado / cronogramaCP V-ARI Concreto aparente brancoCPB estrutural fck mínimo do concreto armado conforme NBR 6118:2014, Tabela 7.1 (classe de agressividade ambiental).
Leia da esquerda para a direita: identifique o ambiente, veja a CAA, o fck mínimo que a NBR 6118 obriga e o cimento que combina. A linha vermelha (CAA IV, beira-mar) é a que mais gera erro: exige 40 MPa, não 25 ou 30.

Como cruzar tipo e classe? Para casa de 2 pavimentos no interior, CP II-E-32 resolve. Sobrado em capital, CP II-F-32 ou CP III-32. Subsolo de prédio em zona litorânea, CP III-40 ou CP IV-40.

O preço do saco varia pouco entre classes 25 e 32 (R$ 2 a R$ 4 de diferença). Subir pra 40 sai mais salgado e raramente compensa em obra residencial padrão.

CPB — o cimento branco do concreto aparente

O CPB (Cimento Portland Branco) tem a mesma química do Portland comum, mas usa matérias-primas com pouquíssimo ferro e manganês.

É o ferro que dá a cor cinza ao cimento normal; tirando o ferro, sai branco.

Custa cerca de 3 a 5 vezes mais que CP II. Fica restrito a aplicações onde a cor importa: rejunte de porcelanato, fachada de concreto aparente branco e mobiliário urbano com pigmento.

Dois tipos pela NBR 16697:

  • CPB Estrutural (classes 25, 32 e 40): serve pra estrutura aparente branca — a curva de concreto branco que Oscar Niemeyer consagrou em Brasília é o exemplo clássico.
  • CPB Não Estrutural: só pra rejunte, argamassa decorativa e revestimento. Não aguenta carga estrutural.

Se sua obra tem concreto aparente colorido (pigmentado), use CPB. Sobre cimento cinza, qualquer pigmento vira tom de poça de barro.

Cura do concreto (NBR 14931): o passo que ninguém respeita

Cura é manter o concreto úmido depois da concretagem. Sem cura, a água da mistura evapora antes do cimento terminar de reagir, e a peça perde até 40% da resistência projetada.

A norma que rege a etapa é a NBR 14931:2023 — Execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras: Requisitos.

Ela exige que a cura úmida (molhar a peça, cobrir com manta saturada ou usar curador químico) continue até o concreto atingir resistência suficiente.

A norma não tabela dias por tipo de cimento — os prazos abaixo são regra prática de engenharia, que cresce quanto mais lento é o ganho de resistência:

  • CP V ARI: na prática, mínimo 3 dias (algumas referências adotam 7 por segurança).
  • CP I e CP II: na prática, mínimo 7 dias.
  • CP III e CP IV: na prática, mínimo 14 dias (alguns projetistas chegam a 28).
Tempo mínimo de cura úmida por tipo de cimento (regra prática) Barras horizontais comparando o prazo prático de cura úmida: CP V-ARI cerca de 3 dias, CP I e CP II cerca de 7 dias, CP III e CP IV cerca de 14 dias. Quanto mais lento o ganho de resistência, mais longa a cura. Quanto tempo manter o concreto úmido 03714 dias CP V-ARI ~3 dias CP I / CP II ~7 dias CP III / CP IV ~14 dias
Regra prática de canteiro: quanto mais lento o cimento ganha resistência, mais dias de cura úmida ele pede. A NBR 14931 não fixa esses números — ela exige cura até o concreto atingir resistência suficiente, e é isso que os prazos acima buscam garantir.

Quanto mais lento o ganho de resistência, mais longa precisa ser a cura. CP III e CP IV ficam ganhando força até 1 ano depois da concretagem — mas só se a água continuar disponível pra reação.

Truque de obra: na laje, deixe uma lâmina de 2 cm de água em cima por uma semana, contida por cordão de areia úmida no perímetro. Funciona melhor que aspersão.

Em pilar e viga vertical, manta geotêxtil molhada amarrada com fio plástico segura a umidade por 24 horas entre regas. Em dia quente, regue de manhã, ao meio-dia e no fim da tarde.

O sinal de cura malfeita aparece como fissura fina superficial em forma de teia de aranha (retração plástica), nas primeiras 12 horas após o lançamento.

Quando essas trincas aparecem, a peça já perdeu resistência e a única saída é tratamento corretivo com selante epóxi — caro e estético-dependente.

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5 erros que rachuram a obra (e o laudo)

Erro 1 — CP V ARI em peça maciça. Bloco de coroamento, radier espesso, viga baldrame robusta são o pior cenário.

O calor de hidratação pode passar de 60-70 °C no miolo, o exterior esfria e a peça trinca por retração térmica. Use CP III ou CP IV.

Erro 2 — CP I em ambiente úmido. Sem adições, o CP I tem baixa resistência a sulfato e cloreto.

Em subsolo, fundação enterrada ou contato com solo, escolha CP III ou CP IV. CP I serve pra laboratório, não pra obra real.

Erro 3 — Concreto sem aditivo plastificante. Adicionar água extra no caminhão pra "ficar mais mole" aumenta o fator água/cimento e derruba o fck.

O caminho certo é aditivo plastificante (0,3 a 0,8% sobre o peso do cimento), sem mexer na água.

Erro 4 — Fck especificado em projeto ≠ fck na obra. Engenheiro pede C30 (fck 30 MPa), encarregado compra C20 pra economizar.

Quando o laudo aparece, a estrutura já está pronta. Cheque a nota da concreteira contra o memorial do projeto.

Erro 5 — Aceitar concreto sem ensaio de slump. O cone de Abrams (NBR 16889) mede a consistência. Slump fora da faixa especificada = concreto fora do traço. Devolva o caminhão.

Conclusão

Escolher cimento não é "comprar o mais barato do depósito". É ler o projeto, identificar o ambiente, dimensionar a peça e fechar o pedido pelo tipo + classe corretos.

A regra de ouro: CP II pra obra residencial padrão; CP III ou CP IV pra subsolo e ambiente agressivo; CP V ARI só em pré-moldado; CPB pra aparente colorido.

Cure por 7 a 14 dias e jamais aceite concreto sem ensaio de slump.

Próximo passo: pegue o memorial do seu projeto, veja o fck especificado e cruze com a tabela deste post. Se ainda restar dúvida, fale com o calculista antes de comprar 800 sacos do tipo errado.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre CP II e CP V ARI?

CP II tem adições (escória, pozolana ou filer calcário) e ganho de resistência ao longo de 28 dias. É o cimento de uso geral em obra residencial.

CP V ARI tem clínquer puro com finura alta, libera muito calor de hidratação e atinge resistência em 1 a 3 dias. Serve pra pré-moldado, viga protendida e reparo emergencial — não pra peça maciça.

Posso usar CP V ARI em pilar de casa?

Em pilar fino (até 20×20 cm) sim, mas o ganho de tempo raramente compensa o custo extra do CP V.

O risco grave é usar CP V em peça volumosa: radier espesso, bloco de coroamento de estaca, viga baldrame robusta. O calor de hidratação cozinha o miolo, o exterior esfria mais rápido e a peça trinca por retração térmica.

Quanto custa um saco de cimento de 50 kg em 2026?

Estimativa de mercado: R$ 38 a R$ 55 dependendo do tipo, marca (Votorantim, InterCement, Holcim, Cimpor, CSN, Mizu) e região.

CP V e CPB ficam no topo da faixa (R$ 48-58). CP II-F é o mais barato. Cote sempre com entrega incluída — frete pesa em obra fora de capital.

O que é fck e onde ele aparece?

Fck é a resistência característica do concreto à compressão aos 28 dias, medida em MPa (megapascal). Vem definido no projeto estrutural, conforme NBR 6118.

Mínimos da NBR 6118 para concreto armado: 20 MPa em meio rural (CAA I), 25 MPa em meio urbano (CAA II), 30 MPa em meio marinho/industrial (CAA III) e 40 MPa no ambiente mais agressivo (CAA IV).

Qual cimento é mais sustentável?

CP III (alto-forno) e CP IV (pozolânico). Eles substituem boa parte do clínquer por escória siderúrgica ou pozolana (cinza volante, cinza de casca de arroz).

A queima do clínquer é a etapa que mais emite CO2 — a literatura de tecnologia do cimento aponta fatores da ordem de 0,8 t de CO2 por tonelada de clínquer.

Cada quilo de clínquer trocado por escória ou pozolana derruba essa pegada. Migrar para CP III ou CP IV reduz sensivelmente o CO2 do concreto — por isso são os tipos de baixo carbono.

Lucas Serrano
— Sobre o autor

Arq. Lucas Serrano

Fundador e editor da Arqpedia. A obra veio antes da teoria — e essa ordem moldou seu olhar sobre arquitetura, construção, tecnologia e mercado.

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